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Feliz Vida das Mulheres!

8 maio

Desejo a todas as mães: Feliz dia das super-heroínas! Mulheres aventureiras, otimistas, visionárias, tarefeiras e trabalhadoras, muito trabalhadoras.

Desejo a todas as mulheres: Feliz vida de super-heroínas! Mulheres que estão em todo lugar, em todas as funções, que são ou não são mães, que querem ou não querem compor uma família, que sabem ou não sabem cozinhar, que são ou não são intuitivas, que são ou não são sensíveis.

Desejo que a gente consiga reconhecer as amarras que nos prendem aos velhos e falidos modelos de sociedade.

Desejo que a gente não se acostume com as duplas e triplas jornadas, já que nossas conquistas de direitos ainda estão aquém do compartilhamento de deveres.

Desejo que a gente tenha coragem de dizer sim e não com total certeza de que nossas opções estão alinhadas com nossos desejos, sonhos e possibilidades.

Desejo que a gente consiga viver nos desafiando a criar e propor novas formas de relação, de educação, de afeto, de trabalho, de sociedade.

Desejo que agente perceba as crianças como potenciais transformadoras do mundo e caminhe com elas na conquista de instrumentos que nos ajudem a alcançar nosso ideal.

Desejo que a gente respire livremente!

Desejo que a gente possa participar da construção de um mundo onde a gente não precise ser mais super-heroínas!

Desejo que a gente seja mulher. Mulher feliz, por ser mulher e só!

Maysa Lepique

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Ciclo de filmes: Gênero em Movimento

30 mar

pra tocar na rádio

25 fev

Recebi um email de uma rádio convidando para uma programação especial para o Dia Internacional da Mulher. Minha participação seria em nome das Atuadoras, uma gravação por telefone, onde eu teria que dizer uma frase sobre a data.

Minha primeira vontade era dizer “obrigada, não aceito essa rosa!”. Agressiva? Talvez reforçasse o preconceito tão comum que rotula as feministas como mal amadas, histéricas e daí pra baixo.

Então, pensando aqui, meio de improviso, apenas exercitando mesmo a escrita, gostaria de dizer “obrigada, não quero essa rosa. quero o jardim inteiro pra mim! quero ver cada botão de rosa brotando, abrindo, exuberante, até murchar e completar o ciclo que a vida tem. quero o cheiro fresco de mato molhado de orvalho, quero a força da casca das árvores, quero a terra fértil do solo, quero a brisa, quero a chuva, quero a grama pra deitar e rolar. quero todas nós correndo no jardim, todas donas de seus corpos coloridos, gigantes de si. quero as vozes espalhadas aos quatro ventos, quero ouvidos atentos a cada palavra, atentos a cada silêncio. quero o gosto cansado da vitória depois de muita luta, quero o prazer de olhares iguais, quero reconhecimento recíproco. quero ver brotar a lealdade de cada laço, quero laço que não acaba mais, quero liberdade de amarras. e quero música, muita dança, quero ritual de uma sociedade matriarcal que evoluiu na história e tornou-se frátria. quero todos presentes também, companheiros, dançando e cantando e construindo junto. quero o jardim lotado de crianças sabidas de cidadania, sabidas de mulheres e homens, sabidas de humanidade. quero esse mundo completo. quero tudo. quero sonhos de verdade. quero dormir sem notícia de estatística pois que não existirá, será inútil, quando a equidade for soberana. não quero essa rosa. quero flores de todas as espécies e cores e perfumes. quero um dia de vozes pelo ar, a cantar, a gritar, a suspirar, a afirmar. quero um dia de prazer feminino, feminista, prazer de mulher explícito, amostrado, desavergonhado, estampado na cara da cidade. quero a cidade inteira pulsando. quero saber o que você quer. quero com você. meu quero quer ser queremos e fazemos e conquistamos. assim não deixo que o dia de luta vire comemoração banal, do capital, institucional. assim faço da luta cotidiana minha comemoração por ser mulher. mulher a vida inteira!”

Maysa Lepique

Seis meses de licença maternidade

12 fev

Licença-maternidade de seis meses é aprovada em Comissão na Câmara
11/02/2010 – 18:00

Benefício a gestantes é previsto em projeto de emenda constitucional aprovada ontem (11/02) em comissão especial da Câmara dos Deputados

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que aumenta de quatro para seis meses o período obrigatório da licença-maternidade, foi aprovada por unanimidade, ontem (11/02), pela comissão especial que analisou o mérito da proposta na Câmara dos Deputados.

A PEC precisa ainda que ser votada em dois turnos pelo plenário da Câmara e, posteriormente, deverá ser encaminhada à apreciação do Senado, onde também tem que ser aprovada em dois turnos para passar a integrar a Constituição e valer para todas as brasileiras.

O texto apresentado pela relatora e aprovado pela comissão, altera a PEC original apresentada pela deputada Angela Portela (PT-RR), que previa de cinco para sete meses o período de estabilidade da trabalhadora após o nascimento do filho.

No final do ano passado, o governo federal regulamentou o Programa Empresa Cidadã, que prevê a ampliação voluntária da licença dos atuais quatro para seis meses. As empresas que aderirem voluntariamente ao programa e beneficiarem suas trabalhadoras, recebem incentivos fiscais. As regras permitem às empresas deduzir do IR os gastos com os dois meses extras de licença.

http://www.presidencia.gov.br/

8 de março por Miriam Leitão

9 mar

Fiquei emocionada ao ler o texto de Miriam Leitão sobre o 8 de março e ia colar aqui um único parágrafo. No entanto, como o texto aborda o assunto da menina de Recife – assunto que ainda não tínhamos tratado nesse blog – posto o texto, que é excelente, na íntegra.

A seguir:

Dia da mulher

Seja feliz, menina!

Anoitece no dia da Mulher e este silêncio do blog não é falta do que dizer. É tristeza. O caso da menina de Recife foi devastador. Não, ninguém ignora quantas meninas são vitimas da violência em suas próprias casas. Os algozes são os pais, padrastos, pessoas que deveriam estar ensinando e protegendo. Os números são muitos, os casos que aparecem na imprensa são frequentes. Mas a menina de Pernambuco doeu mais.

Talvez  por ter apenas nove anos, por estar sendo estuprada desde os seis, ou porque a chantagem do padrasto era que mataria a mãe. Ou talvez porque ela é bem pequena, menor do que deveria ser para a sua idade. A menina passou anos vendo a irmã também abusada. Só a mãe das duas nada via. O que acontece que cega as mães?

A menina de Recife lembra o quanto a luta da mulher será longa. Recentemente a Sharia, um código tribal brutalmente contra a mulher,  foi restabelecida em todo o Paquistão. Acaba qualquer chance de que não aconteçam casos como a da escritora do livro Desonrada, Mukhtar Mai, que foi condenada a ser estuprada publicamente porque seu irmão de 12 anos teria olhado para uma mulher de casta “superior”. O suplicio de Mukhtar, com estupro público e múltiplo, só não foi mais intenso que sua força de superação. A história dessa paquistanesa choca e emociona, mas a notícia de que a Sharia, que tinha começado a ser suprimida no Paquistão, volta a ser usada em todo o país é um choque. Penso em Mukhtar naquela pequena aldeia onde ela decidiu morar e resistir com uma escola para meninas e meninos.

Normalmente eu gosto de escrever nos dias oito de março, de quanto avançamos, mostrando estatísticas de conquistas, e de quanto falta avançar, mostrando as diferenças salariais, o pequeno percentual de mulheres no poder em qualquer país, as discriminações, mas aí… veio a menina de Recife.

Ela simplesmente me enfraquece. Que números de avanços levantar para compensar essa violência?

Eu penso nela diariamente desde o dia da notícia. Não pela polêmica da Igreja Católica, porque a Igreja não me espanta. Que ela excomungue o médico, as enfermeiras, a mãe pela decisão de interrupção da gravidez  e que nada diga sobre o estuprador, não me surpreende. É apenas bizarro! Medieval.

Eu penso na menina de Recife e nos debates que tenho participado nos últimos anos, sempre em março. Nesses debates sempre discordo das mulheres bem sucedidas que dizem que a luta está ganha, que o feminismo é um movimento ultrapassado, ou outros equívocos assim. Eu, feminista, confesso, minha luta e meu espanto diante da incapacidade de ver o óbvio: que cinco mil anos de opressão não se acabam em poucas décadas, que há muito a fazer, a construir, a vigiar, para que haja algum dia respeito igual. Falta tanto para o dia em que  poderemos dizer que o feministro está superado!

Mas hoje, na verdade, eu penso apenas  no futuro dela: a menina curará suas feridas? Conseguirá entender e processar a violência de que foi vítima? Vai estudar, ter carreira, filhos? Vai conseguir amar um dia? Escapará das teias da reprodução da pobreza? Vai simplesmente reaprender a brincar, como deve fazer uma menina de nove anos?.

Eu podia dizer que ela desperta em mim uma fúria feminista. E é verdade, mas é uma verdade incompleta. Ela desperta em mim o o sonho de protegê-la de algum modo. De embalá-la docemente e contar uma história cheia de aventuras e graça. De cantar para ela uma cantiga de roda, de brincar de pique esconde em volta da casa.  De ir com ela ao cinema e comer pipoca sentada no degrau de uma escadaria. Que tal um sorvete para resfrescar o calorão?

Não sei o que é. Mas por alguma razão eu penso insistemente na menina de Recife neste dia da mulher. Penso com o coração. Eu apenas sonho que suas feridas se cicatrizem um dia.

O discurso feminista, com estatísticas e fatos eloquentes, eu o farei outro dia. Hoje eu apenas quero sonhar que a menina de Recife um dia, apesar de tudo, após tanta violência, será feliz.

do blog de Miriam Leitão, no site da CBN:

http://oglobo.globo.com/online/economia/miriam/

Proposta de governista de incluir trecho na Constituição, para combater machismo, provoca controvérsia

6 maio

Folha de São Paulo 06/05

A parlamentar equatoriana Soledad Vela, da base governista, desatou uma polêmica na Assembléia que redige a nova Constituição do país ao propor um artigo para garantir às mulheres o direito ao prazer na vida sexual, o que rapidamente virou “lei do orgasmo” nas vozes oposicionistas.
Vela, 45, defendeu a idéia há duas semanas e desde então não parou de se explicar sobre o texto, que estabelece o “direito a tomar decisões livres, informadas e responsáveis, sem coerção e discriminação de nenhum tipo, sobre sua vida sexual, incluídos o prazer e a opção sexual”.
Na argumentação, ela dizia que o machismo e o conservadorismo do país relegam a mulher ao papel de objeto sexual ou reprodutivo, uma situação de “mutilação psicológica permanente”. Era preciso, portanto, com a “ferramenta da palavra”, explicitar o direito a desfrutar do sexo.

Prisão perpétua
A notícia correu o mundo, com enunciados como “Satisfação sexual pode ser obrigatória no Equador”. Ontem, Vela concedeu mais uma entrevista na rede de TV Teleamazonas, uma das maiores do país, para desmentir que sua proposta abriria, como disseram oposicionistas e jornais e TVs, não sem tom jocoso ou temeroso, a possibilidade de que mulheres abrissem processos contra seus parceiros caso não satisfeitas.
O porta-voz da oposição, Leonardo Viteri, do PSC (Partido Social Cristão), a acusou de querer “decretar orgasmos por lei” e tomar tempo importante da Assembléia com “novelices”. Seu colega, Francisco Cisneros, emendou: “Um amigo me disse muito preocupado: “Me espera prisão perpétua'”.
Irritada com as repercussões, Vela afirmou ontem à Folha que elas são mais um sintoma da situação que quis denunciar. “Nunca falei de modelo coercitivo… Não se pode obrigar por lei o prazer. Queria criar consciência num país em que há muita violência velada contra a mulher, abrir espaço para uma educação sexual aberta. Mas a simples menção causa temor porque toca em um tema de poder para os homens”.
“Há duas semanas que a imprensa marrom só fala disso. Sexo vende…”, contou ela, que largou a carreira de jornalista em 2007 para tornar-se política pelo Acordo País, movimento liderado pelo católico presidente Rafael Correa.
E como sua família reagiu? “Não teve reação. Para meu marido, esse é um tema natural. Ele me apóia”, disse ela, que tem dois filhos.
A proposta de Vela não passou na comissão que discute os direitos fundamentais na próxima Constituição, cujo texto deve ficar pronto em junho. “Apesar de toda tergiversação, abriu-se um espaço da reflexão, isso foi positivo.”
Essa não foi a única batalha perdida pela bancada feminina. No mês passado, a Assembléia equatoriana, de maioria governista, retirou o aborto como tema de discussão. Para Vela, o país ainda não estava preparado para o debate. “Seis meses é pouco para discutir isso, mas vamos avançando.”

8 de março – o manifesto!

8 mar
Ah não!
Não me venha com essa rosa vermelha,
Quase alegre,
Meio murcha,
Que não esconde espinho,
Pedindo perdão,
Fingindo redenção.
Pára com essa história de que somos iguais,
Que as diferenças já eram,
Direitos adquiridos,
Casa, trabalho, filho, marido.
Não me venha com comemoração
Que eu não engulo essa, não.

Pois ainda ganho menos
Ainda sou produto
Quando apanho, devo ter dado motivo
E se peço proteção, acabo na prisão.

Vamos falar a verdade?
Você não me conhece
Nunca percebeu que eu tenho identidade
E meu pensamento vai muito além do seu outdoor

Cuidado capital, a casa caiu.

Seu império está por um triz
Nossa vingança é ser feliz!

Iraniano é condenado a dar dote de 124 mil rosas à mulher

5 mar

Um tribunal do Irã ordenou um homem a dar à sua esposa as 124 mil rosas que prometera como dote de casamento, depois que a mulher moveu uma ação judicial para receber as flores, de acordo com o jornal E’temad.

A mulher, identificada como Hengameh, disse que resolveu exigir o dote na Justiça porque seu “marido é muito avarento” e não paga sequer por um café, disse a reportagem.

O tribunal confiscou o apartamento do marido até que ele entregue as rosas à esposa, com quem é casado há dez anos.

Pelas leis iranianas, uma mulher pode reclamar o seu dote – ou mahr – a qualquer momento durante o casamento ou o processo de divórcio.

O dote se torna propriedade da esposa, que pode fazer com ele o que desejar.

A prática de dote é indispensável para validar o contrato de casamento.

‘Amigas bilionárias’
De acordo com o E’temad, a mulher decidiu reclamar o dote inteiro para punir o marido.

“Pouco depois do casamento, eu percebi que Shahin era muito avarento”, disse Hengameh ao jornal. “Ele até se recusava a pagar o meu café quando íamos a uma lanchonete ou restaurante.”

Shahin disse no tribunal que só tinha poder aquisitivo para dar à esposa cinco rosas por dia e queixou-se que “amigas bilionárias da mulher puseram tais idéias na cabeça dela”.

Mas o juiz rejeitou as alegações de Shahin e ordenou que o apartamento dele, no valor de US$ 64 mil, fosse confiscado até que ele trouxesse à esposa todas as flores.

Uma rosa de cabo longo custa cerca de US$ 2 na capital do Irã, Teerã.
É comum no Irã que sejam oferecidas moedas de ouro ou propriedades como dote. Um homem iraniano pode acabar na prisão por dever o dote.

UOL Últimas Notícias – 04.03.2008

em 1918…

4 fev

Esta é a mulher moderna: a autodisciplina, ao invés de um sentimentalismo exagerado; a apreciação da liberdade e da independência, ao invés de submissão e de falta de personalidade; a afirmação de sua individualidade e não os estúpidos esforços por identificar-se com o homem amado; a afirmação do direito de gozar dos prazeres terrenos e não a máscara hipócrita da “pureza”, e finalmente, o relegar das aventuras do amor a um lugar secundário na vida. Diante de nós temos, não uma fêmea, nem a sombra do homem, mas sim uma mulher-individualidade.

Este é o último parágrafo do ensaio “A NOVA MULHER E A MORAL SEXUAL”, escrito por Alexandra Kolontai em 1918! Estamos em 2008…

(Ed. Expressão Popular)

opressão de gênero e divisão de classes

28 jan

Como padrão de desigualdade, a dominação sexual é muito mais antiga historicamente, e muito mais profundamente arraigada na cultura, do que a exploração capitalista. Detonar suas estruturas requer uma carga igualitária muitíssimo maior de esperança e energias psíquicas, do que a necessária para eliminar a diferença entre classes. Mas, se essa carga explodisse no capitalismo, é inconcebível que ela deixasse inalteradas as estruturas de desigualdade de classes – mais recentes e relativamente mais expostas. A explosão de uma inevitavelmente arrastaria consigo a outra. Qualquer movimento que encarne valores capazes de realizar uma sociedade sem hierarquia de gênero seria constitutivamente incapaz aceitar uma sociedade fundada na divisão em classes.

Neste sentido, o governo do capital e a emancipação das mulheres são – histórica e praticamente – irreconciliáveis.

A CRISE DO MARXISMO

Perry Anderson