Arquivo | Mulher e mídia RSS feed for this section

O “Boa noite Cinderela” do BBB

17 jan

Abuso sexual. No mínimo, foi isso o que ocorreu na 12a edição do Big Brother Brasil. Os vídeos já foram tirados do ar pela Rede Globo, mas para quem viu, a cena é clara: depois de uma festa com muito álcool, uma das participantes, Monique, aparece jogada em uma cama. Ela está bêbada e praticamente inconsciente quando um outro “brother” (engraçado, meu conceito de irmandade nada tem a ver com isso) deita-se ao seu lado e, embaixo do edredom, começa a fazer movimentos que remetem a sexo.

É óbvio que não é possível dizer se houve penetração, mas não há dúvidas de que pelo menos ela foi bolinada – e muito – em um momento em que não tinha condições de interagir. Monique fica simplesmente largada enquanto Daniel usa e abusa de seu corpo. E isso pode sim ser considerado estupro, por mais que Boninho e cia. tentem negar.

Segundo o artigo 213 da lei 12.015, de 2009, é estupro “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. (E, pelo que me orientaram depois da publicação inicial do post, também é preciso mencionar o artigo 215, que fala sobre violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável na modalidade em que a vítima está impossibilitada, por outro meio, de oferecer resistência, e o artigo 217-A)

Aliás, da maneira como ocorreu no BBB, me lembra até aquele golpe do “Boa noite Cinderela”, em que alguém põe um medicamento na bebida de outra pessoa até que ela quase desmaie e a estupra.

Não é possível que tal situação grotesca, e ainda por cima transmitida ao vivo para todo o Brasil, passe incólume, como se nada tivesse acontecido! Isso é crime, pessoal! É preciso dizer com todas as letras que está errado o que ocorreu! Aquela mulher foi sim violentada em seu direito de preservar o seu corpo.

E, a meu ver, a Rede Globo deveria ser a primeira a se colocar dessa maneira, denunciando e expulsando o participante, dando apoio à outra brother e mostrando para a sociedade que isso não pode se repetir.

Só que, cá entre nós, não deve ser nada fácil admitir que essa situação ocorreu porque os executivos dessa emissora, em busca de audiência, decidiram colocar pessoas dentro de um esquema de confinamento, enchendo-as de álcool, para ver o que acontecia, não é? Como ratinhos de laboratório do comportamento humano.

Deu no que deu. Imperou o machismo e a violência. E agora, pelo jeito, a condescendência. Lamentável, absurdo, surreal.

Por Maíra Kubík em http://mairakubik.wordpress.com/2012/01/15/o-boa-noite-cinderela-do-bbb/

O Machismo é violência – Campanha no Equador

13 fev

 

“El comportamiento machista y violento no es natural, ni normal, es un mal que se aprende. No permitas que estos actos se sigan reproduciendo, está en ti poderlos detener.”

Mais vídeos da campanha podem ser vistos no youtube. Procure por: nomachismoec

O corpo como outdoor

12 ago

Durante a copa do mundo, uma mulher desfrutou de seus minutos de fama: a paraguaia Larissa Riquelme. Descoberta/inventada pela mídia, ela foi durante algumas semanas notícia no Brasil. No entanto, houve um fato pouco noticiado na nossa imprensa. Durante o jogo entre Paraguai e Espanha, Larissa apareceu com uma tatuagem na qual se lia AXE em um de seus seios. A Unilever pegou carona na fama da modelo e pagou para ter uma de suas marcas divulgada na direção de onde iriam os olhares dos homens e mulheres ligados em futebol e em um devaneio erótico.

Na nossa sociedade ser é ser visto – visto na mídia. Mulheres emprestam seus corpos à publicidade: de cerveja, de perfumes, do que for, de nada, do que pagar bem, do que a deixar em evidência. Faz-me lembrar de uma frase em um espetáculo teatral da Cia. do Latão no qual uma personagem dizia: “No mundo da mercadoria, coisa má é não ser mercadoria”.

Homens consomem anúncios que prometem liberdade através de um carro, potência sexual ao beber uma cerveja, realização profissional ao ser cliente de determinado banco. Aos homens a promessa é de que serão ricos e de que eles não desejam mais nada a não ser uma bunda, alguns seios, uma mulher-objeto.

Adoraria ver o Carrefour veiculando um comercial com um homem de cueca e pau duro fazendo compras entre gôndolas. Talvez os homens reagissem com a mesma indignação que as mulheres sentiram ao ver as primeiras propagandas de cerveja com mulheres hiper-sexualizadas. Seria uma boa estratégia de sensibilização criar propagandas com visões tão limitantes dos homens como são a maior parte dos comerciais em relação as mulheres.

Ou talvez não leve a nada propor o mesmo veneno já que, na realidade, perdemos todos e todas com a apropriação de nossos corpos e desejos por um mercado que quer nos vender mais e mais produtos que não precisamos.

Por Daniele Ricieri

Geni e os rottweilers

15 jul

Já faz algumas semanas que homens e mulheres repercutem o noticiário em suas conversas informais falando sobre a morte de Eliza Samudio, a ex-namorada do goleiro Bruno. Como pessoas civilizadas que somos, especialmente nos primeiros momentos de uma conversa, começa-se o assunto destacando como o crime foi bárbaro e lembrando o interlocutor de um ou outro detalhe mórbido do como teria sido o assassinato.

Partindo deste início convencional, as conversas tomam vários outros rumos. Queremos destacar dois deles.

Algumas pessoas ao contarem a história dão destaque para o ponto comercial do incidente: fazem as contas para saber quanto o Flamengo perderá com o escândalo. Lembram que assim que a suspeita de assassinato veio à tona, o clube carioca prontamente contratou um dos melhores advogados da cidade para proteger seu jogador. Afinal, é assim que os times ganham dinheiro: investem em um talento e depois vendem o passe para outro clube. Ficando a importante questão: quanto perde o Flamengo?

O outro destino da análise de cada um/uma da morte de Eliza é ainda mais comum que o anterior: o questionamento do caráter da vítima. E é neste ponto que vamos nos debruçar um pouco.

“Nada justifica o que foi feito mas…”.

Mas “ela era uma garota de programa”.

Mas “essas mulheres escolhem o momento em que estão ovulando para sair com estes caras”.

Mas “era uma interesseira”.

Mas “ela não era flor-que-se-cheire”.

Mas “ela engravidou de propósito”.

Mas “ela gostou da fama”.

E tantos outros “mas”.

Evidentemente culpar a vítima ou levantar suspeitas a respeito de seu caráter não é uma estratégia nova. Sobretudo quando a insinuação parte do algoz.

Ficando aqui uma provocação: do que nos defendemos quando nos associamos aos amigos de Bruno e consideramos que, de alguma forma, Eliza mereceu morrer? Não temos motivos pessoais para desejar nada de mal a Eliza. Talvez isso nos leve a pensar que não é de Eliza que nos defendemos e sim, do que este triste fato diz sobre nós coletivamente.

Uma das hipóteses possíveis seria pensarmos que aquele-tipo-de-mulher revela as fraquezas de um-tipo-de-homem que não queremos ver ameaçado. Para que tudo se mantenha como está nas nossas vidas e sociedade (mesmo estando ruim até demais) temos que considerar que as mulheres exercem de tal forma um poder macabro sobre os homens, poder do qual eles não têm defesa – não porque sejam fracos, mas porque “são só humanos” – que merecem ser punidas.

Este episódio Bruno e sua ex-namorada em algum lugar ecoa em nós que um homem está constantemente lutando contra tentações, portanto é um herói e que as mulheres são as culpadas caso eles falhem. Se ele procurou uma amante, sua mulher não deveria ser boa de cama. Se ele foi infiel à esposa, sua amante deve tê-lo enlouquecido. Se ele engravidou uma mulher, ela deve ter feito de propósito. Se ele não é maduro o suficiente para se responsabilizar por seus atos, ela mereceu morrer.

Talvez seja insuportável, na nossa sociedade patriarcal e machista, olharmos para as falhas destes homens. Mais fácil escolher a culpada.

Por Daniele Ricieri

Por uma sexualidade livre

6 fev

(Veiculado na Ilustrada no dia 26 de janeiro. Segue o link para assinantes do jornal ou da uol: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/quadrin/f32601201001.htm )

@DaniloGentili “Sou contra políticos irem no SuperPop. Aquele programa é conhecido por putas darem seus depoimentos. Não seus filhos”.

(Post do apresentador do CQC no Twitter).

Sou uma defensora do humor. Acredito que nas piadas, nos chistes, nas brincadeiras, temos a possibilidade de expressar conteúdos, desejos e preconceitos inconscientes. Se a piada tem graça é um sinal de que o piadista e o risonho tem aquele mesmo desejo/preconceito velado, partilham do mesmo código cultural. Neste sentido, acho um des-serviço a patrulha, a vigília, a busca do politicamente correto pois, para mim, estas são oportunidades importantes de se perceber o que esta por trás do nosso discurso como sociedade. Ou seja, o que desejamos? O que consideramos diferente ou inferior a nós?

Pois bem, percebo nestas duas supostas piadas o mesmo preconceito, ou melhor, o mesmo ódio contra a sexualidade feminina. O que me leva a crer que precisamos jogar mais luz na forma como a mulher é hoje retratada/percebida/anunciada no Brasil (e no mundo, evidentemente). Na charge, o não cabimento do desejo feminino é explícito. Não cabe a uma mulher expressar desejo sexual. Se ela ousa, ela merece apanhar. Ou pior, nem se entende o que ela pede, “mulher não pode gostar de sexo”, portanto ser tocada deve querer dizer ser tocada com violência, e quanto mais melhor. “Toda mulher gosta de apanhar”. Não era isso?

Já Danilo nem se referia a mulher, o alvo de seu ataque eram os políticos. Ou seja, é tão banalizado o tratamento de mulheres como putas (as que ousam transar e ganhar algo, dinheiro no caso) que serve de trampolim para uma outra “piada”.

Pausa para refletir sobre o nosso fascínio como sociedade pelas tais “putas”. Nem me refiro aqui às profissionais de fato, que trariam um capítulo a parte, mas às tais “putas” midiatizadas. Mulheres que exploram o próprio corpo, a própria beleza para aparecerem, ou para serem, já que em nossa cultura ser é ser visto na televisão. Elas fascinam, elas são invejadas (não são poucas as mulheres que buscam o mesmo corpo que a “gostosa da tv”) mas são tachadas de burras, de vulgares, de interesseiras, de venderem seu corpo por fama, por dinheiro, ou seja, são “putas”. Nossa cultura diz o tempo todo para as meninas e mulheres qual é o único bem que elas podem ter: seus corpos. Corpos cada vez mais esqueléticos ou corpos volumosos de horas de academia. No entanto, cobramos o preço: use isso, mas não muito. Se é “gostosa”, não é inteligente. Faça gozar, mas não goze você. Desperte desejo, mas apanhe.

Acredito que esta será a próxima e necessária revolução sexual feminina: o direito ao sexo, a uma sexualidade livre, não patrulhada. Neste dia não haverá graça ou horror nenhum em uma mulher propor uma relação sexual, ou em se sentir bem com seu corpo gordo, magro, pequeno, loiro ou vesgo. Certamente teremos mais peles e peitos e pênis na televisão e bem menos armas, guerras, medos.

Por Daniele Ricieri

Mulher na Mídia

3 dez

Por ocasião dos 16 dias de ativismo contra a violência à mulher, trago para reflexão a influência da mídia no estímulo à violência em geral e, em particular, contra a mulher.

Certamente, seremos questionadas: o procedimento da mídia, afinal, remete mais à sedução do que à violência. Mas, lembrando Foucault, propomo-nos a apontar os mecanismos de violência sutil da produção de imagens socialmente valorizadas, que controla de forma mais eficiente do que o mando e a violência explícitos. E a presença de violência explícita, que também encontramos em suas páginas, fotos, matérias, programação etc.

Se nos concentrarmos na mídia televisiva, podemos perceber várias formas de violência, a começar pela violência da sua intensa concentração. Os especialistas se dividem sobre o número de famílias que detêm em mãos este formidável poder de decidir o que vamos ver, e o que não veremos, além da interpretação que será dada aos fatos e notícias mostrados – seis ou nove famílias concentram este poder em suas mãos.

Decorre desta violência, mais uma: a violência da usurpação de nosso direito à comunicação. O direito à comunicação é um direito humano que nos subtraem, limitando-o ao “direito” de absorvermos as informações que nos passam, sem nos permitir exercer o direito de dizer e mostrar o que pensamos, aprovamos, desaprovamos. Afinal, a comunicação é uma via de duas mãos – e não de mão única, como nos impõem.

Imposição de modelos

Mas temos também a violência explícita, que se reflete na programação e que a banaliza. Se tirarmos por uma semana os filmes baseados em violência, ficaremos praticamente sem programação filmográfica. Neles, a violência abunda e se banaliza. Gera idéias e modelos. Aumenta a tolerância a esta carga enorme que se precipita em nosso imaginário. E, cúmulo da sofisticação, por vezes chega a ser erotizada – induzindo desapercebidamente (ou não), à aceitação de relações sexuais forçadas e “romantizadas”, como foi o caso do artigo do colunista Henrique Goldman, intitulado “Carta Aberta para uma Luisa”, na revista Trip, que mereceu cartas de protesto que sequer foram reproduzidas, desrespeitando o direito de resposta.

Ou no noticiário, como ocorreu com o caso do seqüestro seguido de morte da Eloá, em Santo André, intensa e extensivamente explorado em forma de espetáculo, e que parece ter estimulado uma série de crimes contra as mulheres, noticiados na mesma semana.

Ou mesmo no que a Globo decidiu batizar de “merchandising social”, quando foca o tema em sua teledramaturgia, como fez em algumas de suas novelas. O que entra em discussão, no caso, é o timing – um número infindável de episódios em que alguma mulher sofre impunemente violência física por parte de algum homem próximo, finalmente coroado por um capítulo em que tal violência é punida. Que valor afinal é mais promovido: a impunidade da violência contra a mulher, ou o contrário?

E temos também a violência implícita, que vem de nossa invisibilidade seletiva (nunca aparecemos com nossas demandas sociais em nossas manifestações e reivindicações, em nossos feitos e manifestações, como especialistas em questões de interesse geral, onde se prefere entrevistar tão-somente homens) e na imposição sutil e poderosa de modelos – de beleza, de comportamento, de consumo, de “felicidade”, de valores, de normatização.

Termo de ajustamento de conduta

E estes modelos todos reproduzem imagens mais ou menos sutis de submissão, de manutenção de valores segregadores que já foram largamente ultrapassados pelas transformações sociais que promovemos na estrutura e no tecido social. Nos mantêm presas a uma imagem empalidecida e conservadora, prenhe de valores ultrapassados e conformistas.

A nossa diversidade e o nosso contraditório são cuidadosamente ocultados, através de exibição ad nauseam de um modelo único e repetitivo de jeito de ser e ter, que se confundem…

O impacto dessas imagens – e dessas ausências – na formação da subjetividade deixa suas marcas em uma geração de homens e mulheres.

Em nome da saúde mental e do desenvolvimento pleno e saudável da população, esta situação tem que mudar.

Temos – as mulheres e a sociedade civil organizada – promovido uma série de ações contra alguns destes abusos. Como quando a Campanha pela Ética na TV obteve o “direito de resposta”, substituindo o programa de João Kleber por um mês, em que os diversos segmentos sociais ridicularizados em seu programa (mulheres, negros, homossexuais) tiveram espaço para dizer a que vieram. Ou como quando a mesma campanha conseguiu a mudança de horário do “Pânico na TV”.

Ou, ainda, quando o CLADEM e o Instituto Patrícia Galvão conseguiram um TAC – termo de ajustamento de conduta – com a Kaiser, que bancou um seminário para a discussão da imagem da mulher na propaganda, em conseqüência de suas “bolachas” espalhadas pelas mesas dos bares, com os dizeres “mulher e cerveja – especialidade da casa”.

Responsabilidade social

As mulheres conseguiram, ainda, no Norte do país, a proibição da propaganda de uma oficina publicada em revista em que, sobre o rosto de mulher, de olho roxo, se lia “Está na cara que precisa de funilaria”. No Sul, a ONG Themis conseguiu multa e a proibição da música “Um Tapinha não Dói”.

Outras tentativas tiveram menos sucesso, mas não deixam de ser importantes. Como o processo movido pelo Observatório da Mulher contra a Skol, pela propaganda “A musa do verão”, estranhamente transferida do Ministério Público Federal (depois de um ano de tramitação e de tentativa frustrada de chegar a um Termo de Ajustamento de Conduta) para o Ministério Público Estadual, onde terminou finalmente arquivado, sem que a entidade que encaminhou o processo tivesse ao menos sido ouvida.

Ou, ainda, as centenas de cartas de protesto encaminhadas ao jornal “O Estado de S. Paulo” por sua enquete – em que perguntava a que as mulheres aspiravam mais em termos de políticas públicas, se operação plástica ou outras medidas de embelezamento. Finalmente, a carta de protesto endossada por várias entidades feministas, e outras, protestando contra a matéria publicada na revista Trip, onde um articulista relatava, de forma galhofeira e romantizada, o estupro a que submeteu a empregada doméstica da casa de seus pais para a sua própria iniciação sexual (carta que a revista sequer publicou).

Nesses 16 dias de ativismo contra a violência à mulher, cabe pôr em pauta o papel da mídia na reprodução destes valores execráveis e da naturalização da violência. É mais do que hora de pensar num controle social, exercido pela sociedade civil organizada, para que a mídia efetivamente cumpra a sua função de informar e entreter, com toda a responsabilidade social que lhe cabe, tanto quando a sua propriedade é privada, como quando se trata de uma concessão pública, como no caso da rádio e da televisão.


Por Rachel Moreno é psicóloga, pesquisadora e presidente do Observatório da Mulher publicado no Observatório da Imprensa em 24.11.08

Prostitutas do centro de Belém aprendem a trabalhar em rádio

9 maio

Reputação, 104.7. Assim vai ao ar a rádio comunitária do Grupo de Mulheres Prostitutas do Pará (Gempac). As prostitutas, filhos e filhas delas, amigas, amigos e jovens do projeto Atelier da Vida, desenvolvido pela entidade desde 2000, estão aprendendo a operar, produzir e comandar programas na oficina de Rádio Comunitário, realizada pela Secretaria de Estado de Comunicação, do governo do Estado, na sede do Gempac, no bairro da Campina, em Belém.
Neste sábado, ao final da oficina, vai estar no ar o programa “Gempac Forma e Informa”, a primeira experiência da turma. O programa está sendo produzido pela estudante Pauline Araújo, de 20 anos, filha de uma funcionária do Gempac, tomou a frente do trabalho e organizou a ordem do programa, com entrevistas, vinhetas e outras músicas.
A coordenadora do Gempac, Andrelina Braga, disse que a rádio Reputação nasce com a missão de divulgar os projetos e os trabalhos desenvolvidos pela entidade. Para a presidente de honra e fundadora do Gempac, Lourdes Barreto, coordenadora política da entidade, a idéia é levar consciência de cidadania e de direitos e deveres na sociedade para prostitutas e seus descendentes.
Nesta quinta-feira (01), Dia do Trabalhador, o Gempac chega a maioridade, completa 18 anos. Larissa Picanço, de 18 anos, jovem do programa Atelier da Vida também ficou satisfeita com a oficina e com a iniciativa do governo do Estado. “É mais um incentivo para os jovens, dando oportunidade para a gente crescer ainda mais, saindo definitivamente da condição de risco nessa vida, quase sempre vivida nas ruas”, declarou emocionada, dizendo que o Gempac a amparou como se fosse seu segundo lar.
Larissa trabalha hoje na loja Ná Figueredo, associada ao Gempac, acolhendo jovens aprendizes. Larissa faz confecções e bolsas para a loja. Ela aprendeu a costurar no Atelier da Vida, programa do Gempac que já formou mais de mil jovens. Assim como Larissa, muitos deles estão no mercado de trabalho, ganhando dignidade e melhorando a qualidade de suas vidas.
Fonte: Agência Pará

Sociedade organizada ganha na justiça ação contra produtores da música “Tapinha”

26 mar

A Justiça Federal de Porto Alegre condenou a empresa Furacão 2000 Produções Artísticas ao pagamento de multa de R$ 500 mil pelo lançamento da música “Um Tapinha Não Dói”, por entender que a letra banaliza a violência e estimula a sociedade a inferiorizar a mulher.
A decisão foi tomada pelo juiz federal substituto Adriano Vitalino dos Santos, da 7ª Vara Federal, e pode ser contestada em instâncias superiores.
A ação foi movida há sete anos pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela organização não-governamental (ONG) Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, que alegaram que a letra justifica a violência masculina a partir do comportamento sexual da mulher.
A ONG e o MPF sustentaram ainda que a liberdade de expressão não é direito absoluto e tem limitações reconhecidas pela Constituição em face do princípio da dignidade.
O juiz entendeu que houve dano moral difuso à mulher e estabeleceu a multa, que deverá ser revertida ao Fundo Federal de Defesa dos Direitos.

UOL Últimas Notícias – 25.03.2008