Arquivo | manifesto RSS feed for this section

Feliz Vida das Mulheres!

8 maio

Desejo a todas as mães: Feliz dia das super-heroínas! Mulheres aventureiras, otimistas, visionárias, tarefeiras e trabalhadoras, muito trabalhadoras.

Desejo a todas as mulheres: Feliz vida de super-heroínas! Mulheres que estão em todo lugar, em todas as funções, que são ou não são mães, que querem ou não querem compor uma família, que sabem ou não sabem cozinhar, que são ou não são intuitivas, que são ou não são sensíveis.

Desejo que a gente consiga reconhecer as amarras que nos prendem aos velhos e falidos modelos de sociedade.

Desejo que a gente não se acostume com as duplas e triplas jornadas, já que nossas conquistas de direitos ainda estão aquém do compartilhamento de deveres.

Desejo que a gente tenha coragem de dizer sim e não com total certeza de que nossas opções estão alinhadas com nossos desejos, sonhos e possibilidades.

Desejo que a gente consiga viver nos desafiando a criar e propor novas formas de relação, de educação, de afeto, de trabalho, de sociedade.

Desejo que agente perceba as crianças como potenciais transformadoras do mundo e caminhe com elas na conquista de instrumentos que nos ajudem a alcançar nosso ideal.

Desejo que a gente respire livremente!

Desejo que a gente possa participar da construção de um mundo onde a gente não precise ser mais super-heroínas!

Desejo que a gente seja mulher. Mulher feliz, por ser mulher e só!

Maysa Lepique

Anúncios

pra tocar na rádio

25 fev

Recebi um email de uma rádio convidando para uma programação especial para o Dia Internacional da Mulher. Minha participação seria em nome das Atuadoras, uma gravação por telefone, onde eu teria que dizer uma frase sobre a data.

Minha primeira vontade era dizer “obrigada, não aceito essa rosa!”. Agressiva? Talvez reforçasse o preconceito tão comum que rotula as feministas como mal amadas, histéricas e daí pra baixo.

Então, pensando aqui, meio de improviso, apenas exercitando mesmo a escrita, gostaria de dizer “obrigada, não quero essa rosa. quero o jardim inteiro pra mim! quero ver cada botão de rosa brotando, abrindo, exuberante, até murchar e completar o ciclo que a vida tem. quero o cheiro fresco de mato molhado de orvalho, quero a força da casca das árvores, quero a terra fértil do solo, quero a brisa, quero a chuva, quero a grama pra deitar e rolar. quero todas nós correndo no jardim, todas donas de seus corpos coloridos, gigantes de si. quero as vozes espalhadas aos quatro ventos, quero ouvidos atentos a cada palavra, atentos a cada silêncio. quero o gosto cansado da vitória depois de muita luta, quero o prazer de olhares iguais, quero reconhecimento recíproco. quero ver brotar a lealdade de cada laço, quero laço que não acaba mais, quero liberdade de amarras. e quero música, muita dança, quero ritual de uma sociedade matriarcal que evoluiu na história e tornou-se frátria. quero todos presentes também, companheiros, dançando e cantando e construindo junto. quero o jardim lotado de crianças sabidas de cidadania, sabidas de mulheres e homens, sabidas de humanidade. quero esse mundo completo. quero tudo. quero sonhos de verdade. quero dormir sem notícia de estatística pois que não existirá, será inútil, quando a equidade for soberana. não quero essa rosa. quero flores de todas as espécies e cores e perfumes. quero um dia de vozes pelo ar, a cantar, a gritar, a suspirar, a afirmar. quero um dia de prazer feminino, feminista, prazer de mulher explícito, amostrado, desavergonhado, estampado na cara da cidade. quero a cidade inteira pulsando. quero saber o que você quer. quero com você. meu quero quer ser queremos e fazemos e conquistamos. assim não deixo que o dia de luta vire comemoração banal, do capital, institucional. assim faço da luta cotidiana minha comemoração por ser mulher. mulher a vida inteira!”

Maysa Lepique

Nossa militância – reflexões pós lançamento do livro PEÇA PARA MULHERES

8 out

Não sou feminista. Não milito no movimento feminista.
A afirmação ainda ecoa e traz uma forte reflexão sobre o posicionamento que adotamos em relação ao nosso trabalho.
Dizer que fazemos um teatro feminista ou que somos um coletivo de mulheres interessadas em denunciar violências contra mulher, ao mesmo tempo que nos dá identidade e agrega parcerias, provoca estranhamento e revela preconceitos, visões antigas e equivocadas sobre o assunto.
Durante o ciclo de lançamento do livro PEÇA PARA MULHERES – História e poesias do espetáculo teatral mulher a vida inteira, principalmente na Livraria da Vila onde fizemos um bate papo e na roda de conversa do Teatro Coletivo, ficou evidente como a discussão a cerca da situação contemporânea da mulher é polêmica, séria, necessária e rechaçada.
Mais do que interesse pelo projeto ATUADORAS em si, as pessoas que participaram desses eventos tinham interesse em saber de suas razões de ser e de suas conseqüências, como por exemplo, a restrição de público no espetáculo mulher a vida inteira – apresentado exclusivamente para mulheres. O princípio da discussão parece ser motivado pela curiosidade, mas aos poucos, uma identidade entre mulheres acontece e a cumplicidade entorno do assunto se estabelece.
É nesse momento que o leque de abordagens se amplia e ganha dimensões imprevistas pelas proponentes da discussão. Pois, as mulheres iniciam sempre seus posicionamentos a partir de suas experiências de vida. E todas – regra que parece não ter exceção – têm uma experiência para ser compartilhada, transformando questões privadas em problemas sociais e coletivos.
O nome que damos a atitude de reivindicar direitos, denunciar violências, e até mesmo perceber diferenças sem sentido, como naturalizações de comportamentos socialmente construídos, não interessa de fato. Militar no movimento feminista…
Mas o que é o movimento feminista hoje?
Muito diferente do que um movimento datado e radical, o feminismo vem, ao longo dos anos, contracenando com o mundo onde vivem as mulheres, com as dificuldades que temos que encarar por sermos mulheres. E, se movimento é a coletivização de ações e ideais, no caso das mulheres, ele é mais que necessário, pois nossa voz ouvida solitariamente não tem valor algum! E não interessa de onde falamos.
Ao reclamar a falta de uma dramaturgia com personagens femininas, estamos reclamando a falta de um lugar na história da literatura e da arte dramática.
Ao criar espetáculos que tenham como protagonistas mulheres perseguidas e sumidas durante a ditadura militar no Brasil, estamos jogando luz nos silêncios da história.
Ao definir a religião como inimiga, estamos definindo um campo de ação.
Ao filmar depoimentos de mulheres e organizá-los em um documentário, estamos dando voz às mulheres, publicizando histórias de vida que revelam uma condição social do tempo em que vivemos.
Assim, nossa bandeira é nossa própria obra. Mais do que lançar manifestos e participar de passeatas, nos interessa o contato profundo que a arte é capaz de provocar, nos interessa o florescimento de cada relação estabelecida a partir de uma experiência compartilhada.
Acreditamos – e temos tido retorno positivo dessa crença – que brigar pela transformação do mundo em que vivemos em um lugar mais justo, humano e solidário, passa pela transformação de cada corpo de um grupo social. É preciso que eu identifique realidades impostas onde estou imersa, questionando minha própria atuação.
É preciso desnaturalizar o papel de vítima, a fragilidade, a incapacidade de organização coletiva, o instinto maternal e amoroso. Nada disso é natural da mulher.
É preciso que eu mate o “papai do céu” e seja solidária às “mamães da terra”, é preciso romper com esse conceito burguês de paz assistida por câmeras de segurança que só garantem a manutenção de um estado de ameaça, onde cada ser não deve ser diferente do padrão estabelecido e vendido.
Sabendo das múltiplas possibilidades de construção da minha identidade, posso compor o coletivo no momento da ação.
Não há lugar proibido às mulheres. Mas estamos faltando em diversos lugares, inclusive no lugar de plenitude de gozo dos direitos humanos.

Maysa Lepique

Las histéricas somos lo maximo!

28 maio

Debate público: descriminalização do aborto

2 mar

convite_debate0603_frente

Marcha Mundial das Mulheres se organiza para o 8 de março

27 fev

panfleto-8-de-marco-virtual