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A princesa infectada com o vírus da AIDS

12 abr

O ministro da Saúde fez o teste de HIV em Salvador e lançou uma campanha de prevenção da AIDS com foco nas moças entre 13 e 19 anos, que hoje já se infectam mais que os rapazes na mesma idade. No Paraná, por exemplo, a proporção é de 20 moças para 1 jovem infectado na mesma faixa etária.

Alguns anos atrás, AIDS não era uma doença esperada em mulheres. Porque a epidemia vem mudando o gênero alvo? A primeira hipótese que me ocorre é mais óbvia. A libertação sexual feminina é real e, de fato, hoje as mulheres transam mais, com mais parceiros e cada vez mais cedo. Igualando-nos ao comportamento antes considerado masculino, nos colocamos sob os mesmos prazeres e riscos.

No entanto, caminhando na trilha de pensamento do psicanalista João Alberto Carvalho, tendo a acreditar que é o amor romântico o maior vilão desta história. Carvalho, no livro “O Amor que Rouba os Sonhos”, faz uma pesquisa com mulheres que se infectaram ao terem relação sexual com seus parceiros soropositivos sem preservativos e conscientes dos riscos.

Por que com tanta informação, avanços do feminismo e mesmo sendo economicamente chefes da família, as mulheres colocam suas vidas em risco? Na dialética da relação dominador-vítima há um pacto inconsciente celebrado entre eles de que a relação deve causar um ganho para ambas as partes. Ou seja, de alguma forma, as mulheres se submetem porque (acham) que ganham com isso. Não conhecendo outro discurso, só tem em seu repertório de visão de mundo o texto do dominante, que é machista, patriarcal e romântico. E dentro desta lógica a mulher é e está para o amor. “Ruim mesmo é não ter marido.” É não viver um sonhado conto de fadas, é não fazer sua parte como mulher/princesa que entrega tudo por amor.

Ou seja, as mulheres não escolhem morrer ao transar sem camisinha. Esta seria uma escolha burra, portanto, improvável. Ela escolhe ser sujeito, ser o sujeito esperado pela cultura, ela escolhe amar. O HIV é dano colateral, mas pior seria não se submeter ao desejo de seu homem e, com isso, ser menos mulher por ser infiel aos seus deveres românticos. Se no nosso mundo a paixão romântica é destino das mulheres, é o seu objetivo maior de existir, ela se sujeitará ao que for para seguir sendo, seguir existindo, seguir tendo função.

Por Daniele Ricieri

Primiera publicação no Notícias do Arrepio

O Machismo é violência – Campanha no Equador

13 fev

 

“El comportamiento machista y violento no es natural, ni normal, es un mal que se aprende. No permitas que estos actos se sigan reproduciendo, está en ti poderlos detener.”

Mais vídeos da campanha podem ser vistos no youtube. Procure por: nomachismoec

Sabe quem pode mudar o mundo? Meninas!

23 out

Campanha Girl Effect

Ainda somente em inglês… Mas vale muito a pena assisitir:

A menina quer estudar. Mamãe quer trabalhar. É possível?!

9 ago

A vida doméstica nos amarra. Seguem dois exemplos:

filme de Marcio Ramos

Dizem que ser mãe é padecer no paraíso. Nesse mundo onde a mulher além de ser ótima mãe, presente, carinhosa, atenta, provedora de cuidados e educação também trabalha fora de casa, essa afirmação faz todo o sentido.
A maternidade, muitas vezes, parece incompatível com qualquer trabalho que não seja o doméstico. Há mulheres – cada vez menos, mas ainda há – que escolhem ficar em casa cuidando da cria e abandonam, por um tempo ou definitivamente, sua vida profissional.
Mas há muitas outras – umas porque precisam pagar as contas de casa e não têm opção e outras porque gostam – que não deixam seus trabalhos e aí que a coisa complica.
O trabalho, muitas vezes, pode ser estimulante e prazeroso. E o cuidado com as crianças pode ser igualmente prazeroso e gratificante. O que mata é a rotina.
Chego em casa às 19hs30 depois de quase duas horas de trânsito nessa cidade torturante. Helena já está dormindo. Chico espera para jantar. Ele deveria ir dormir às 20hs30, ela também. Bom, hoje, por conta do meu atraso, vamos ter que lidar com a troca de horários.
Janto com Francisco e lá pelas tantas tenho que apressá-lo, pois vai passar do horário de dormir – antes do sono, história e música. O pequeno se apressa e quando está terminando, Helena acorda.
Corro até o quarto e a encontro toda animada em pé no berço. Certo: vamos preparar a mamadeira e tentar conciliar o ritual dos dois.
Escovar os dentes do Chico, colocar o pijama, trocar a fralda da Helena e colocar seu pijama. Hoje teremos que pular a história, pois só nisso já chegamos em 20hs40…
Francisco reclama, mas compreende, doce que é. Helena, no entanto, depois de tomar toda a mamadeira ouvindo a música que já embalou seu irmão, está super acordada e briga pra não dormir.
Tento em vão niná-la. Continuo a música, ando com ela no colo pelo quarto, deixo tudo bem escurinho. Nada.
Pego o sling, mudo de quarto, tudo escuro e chupeta. Nada.
Coloco a bichinha no berço “abraçada” no travesseiro como seu pai indicou. Nada. Aí é que ela fica brava pra valer e começa a chorar. O colo é uma exigência.
Penso nos trabalhos que iria fazer assim que os dois dormissem, fico aflita, minhas costas começam a doer.
Sento com ela no colo e balanço como uma cadeira. Nada.
Desisto. Desço com ela e tento fazer alguma coisa que me distraia por uns minutos e a deixe mais sonada. Ela parece cada vez mais elétrica. Até que faz um coco. Ah… coitadinha… Estava com dor de barriga e eu achando que a menina lutava contra o sono… Assim começa o nível 1 da culpa: a mãe não entende sua bebê.
Subo com ela, troco a fralda, conversamos. Ela me olha nos olhos, profundamente. Sinto um amor delicioso, profundo e admirado. Como é comunicativa minha pequena de 9 meses!
Como é doce e linda! Pego-a de novo nos braços com carinho e cuidado, brinco com ela e digo que agora sim, hora de dormir.
Apago novamente as luzes e escolho uma outra música.

Nada! Ah!!!!
Ainda agitada, ainda empurrando com as pernas, agora está claro: luta mesmo contra o sono!
Já são quase 22hs e Helena, com os olhos vermelhos e pequenos, não quer dormir! E eu preciso e QUERO trabalhar!
A culpa passa para o nível 2: depois de passar o dia fora de casa trabalhando, quero continuar trabalhando! Como pode???
Não aguento mais essa luta e coloco a pequena no berço. Ela chora. Primeiro é manha. Depois é choro pra valer.
Francisco continua dormindo pesado…
Sento no sofá da sala e penso que é preciso que algum pediatra me ajude nessa jornada noite adentro. Sim, pois depois que ela finalmente dormir, sei que acordará algumas vezes durante a noite. Então, mesmo conseguindo fazê-la dormir, fico tensa esperando o próximo chorinho.
A culpa então eleva-se ao nível 3: como é duro cuidar de um bebê!!! Como minha paciência é curta! Eu deveria adorar ficar ninando a bichinha até a hora em que, finalmente, ela dormisse. Sim, eu não deveria reclamar. E cadê o pai dessa criança que não está aqui para me socorrer???
O pai está trabalhando. Claro! Afinal, é a renda do trabalho dele que banca a maior parte do orçamento da família. Então é justo que a divisão seja essa.
E eu, que ganho bem menos, cuido mais das crianças. Bem, não é todo dia essa luta pra dormir. A maioria das vezes é muito mais tranquilo. A pequena mama e dorme junto com Francisco às 20hs30 e eu sigo no computador até ser arrebatada pelo frio e pelo cansaço.
Mas hoje, que preciso ler um projeto importante, preciso começar a escrever outro e publicar uma ação… não tenho energia para mais nada a não ser me jogar na cama. Assim vou adiando, vou deixando pra mais tarde a posibilidade de aumentar meus trabalhos, minha renda… Assim, mesmo conscientes e desejosos de novas possibilidades de constituição de uma família, seguimos reproduzindo o velho formato.

Maysa Lepique – tentando ser mãe, atriz, diretora da cooperativa de teatro, feminista, bem informada, crítica e saudável

PEÇA PARA MULHERES – último evento de lançamento do livro

30 set

Termina neste sábado, dia 03 de outubro, o ciclo de lançamento do livro
PEÇA PARA MULHERES – História e poesias do espetáculo teatral mulher a vida inteira
Estaremos na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, esperando você, para uma tarde de música e poesia!

Av. Henrique Schaumann, 777
Das 17h00 às 20h00

biblioteca

Mulheres da Cena

21 set

mulheres da cena

Dando continuidade ao ciclo de lançamento do livro PEÇA PARA MULHERES – História e poesias do espetáculo teatral mulher a vida inteira, as ATUADORAS e Kiwi Companhia de Teatro convidam para a roda de conversa

MULHERES DA CENA

Uma arena aberta onde mulheres e homens ocupam o espaço livremente para debatermos sobre a mulher e a cena teatral contemporânea. Mais do que um tema, queremos propor perguntas ou provocações que estimulem o bate papo.

Algumas mulheres especialmente convidadas – Aglaia Pusch, Bárbara Araújo, Eliana Bolanho, Graciela Rodriguez, Iná Camargo Costa – darão início à conversa, mas as pessoas da plateia, conforme sentirem vontade, poderão ocupar lugar nessa arena e contribuir com suas reflexões e perguntas.

São questões que nos instigam:

O Feminismo ainda tem espaço na cena contemporânea ou é questão ultrapassada?

A questão de gênero é pertinente no “meio teatral” hoje?

Que relações de poder entre gêneros se estabelecem no mundo da arte? Os homens ocupam funções mais determinantes na cadeia produtiva de um espetáculo de teatro? Por que existem uma quantidade pouco expressiva de mulheres em comissões de notório saber?

– É possível pensar na libertação/emancipação das mulheres dentro do mundo capitalista?

Dia 28/09 – segunda feira

Teatro Coletivo

Rua da Consolação, 1623

Arena aberta (sala 2) das 20h00 às 22h30

Lançamento do nosso livro!!!

15 set

É com alegria de mais um filho parido que as ATUADORAS convidam para o lançamento do livro:

PEÇA PARA MULHERES – História e poesias do espetáculo teatral mulher a vida inteira


A publicação é fruto de projeto contemplado pela Secretaria de Estado da Cultura – ProAC 2008.

No dia 24 de setembro, estaremos na Livraria da Vila a partir das 18h30 e esperamos você para um brinde e um bate papo.

Livraria da Vila
Rua Fradique Coutinho, 915
Coquetel das 18h30 às 21h30
Bate papo com as autoras a partir das 19h00

convite