28/05 – Em casa, após apresentação no presídio. Aparentemente, esta poesia, fiz sozinha. Aparentemente apenas…a contribuição para compor os versos, neste caso, não foi verbal.
O primeiro toque
OXUM
E na frente,
Amarelas,
Todas elas.
Vestidas como girassóis.
E só podem girar até
Ele se pôr.
Depois o recolhimento,
Encolhimento.
Na cela,
Todas elas,
Amarelas,
Esperando que a dama com venda nos olhos
E a balança nas mãos determine que cor usarão.
O que a dama não vê,
é que todas elas,
Amarelas,
Em cela não cumprem pena.
O sossego que nos tiraram
Assim não devolverão.
E assim passam os dias,
longas noites que se vão,
que se vêem
Todas elas, amarelas.
Que mamãe Oxum as proteja
Da nossa vingança,
E fertilize seus caminhos,
Que são nossos também.
(JHAÍRA)
01/06 – Espaço Cultural Lélia Abramo. Um encontro especial. A apresentação foi aberta para alguns homens convidados. O objetivo era ouvir e ver se o espetáculo realmente deveria manter na platéia apenas mulheres…Variadas opiniões, impressões…uns pensam que sim, outros de jeito nenhum. Por mim, ainda acho que temos muita roupa para lavar enquanto refletimos no rio, sozinhas. Aqui a poesia construída com eles. Obrigada meninos!!!!
Como eu estou feliz hoje
Como nunca estive.
Porque eu descobri que vou ser pai.
Tem poder maior do que dar a vida?
É muito difícil pensar em criar um serzinho
Bonito,
Nesta noite de domingo.
Porque hoje descobri o amor,
O tempo é tudo que temos.
Como adorei este presente.
Muito gratificante ter amigos.
25/06 – MST. Retribuindo a visita, fomos até elas. Nossa apresentação foi na biblioteca. Todo o espaço é acolhedor, todas elas nos acolheram, nos surpreenderam e nos emocionaram. A poesia transbordava.
Viva as mulheres sempre vivas
Que lutam por liberdade
Com firmeza e determinação.
Que não têm medo do novo
E defendem a vida.
Elas carregam no seu ventre
A força do amor
e da dor.
Quando a mulher se levanta
Cheia de ousadia
Os males espanta.
O amor é vida
E em cada partida
Com beleza, poesia
E coragem
Mulher faz coisas
Que até o cão duvida.
