quantas vezes, ao longo da vida,
ouvimos “vai, menina”?
e depois aprendemos a ser mocinhas
bonitinhas, delicadinhas, doces gatinhas,
mães, esposas, tias, madrinhas
nem sempre, claro,
mas muitas vezes, fardos
que carregamos pra vida inteira
identidades que nos aprisionam
na caixinha de um certo ser mulher
são poucas as vezes em que aprendemos
a sermos irmãs, amigas, solidárias, guerreiras
e até felizes
mulheres livres
dentro não de uma identidade-prisão,
mas de uma liberdade-condição
que uma vez apreendida
liberta pra toda vida
e as atuadoras proporcionam para todas nós
eles momentos belos sós
em que nos percebemos voz
mulheres
amigas
livres e
felizes
mulheres vermelhas
pra vida inteira
Poema depoimento de Michelle Prazeres