A história da mulher que refletia é sempre um sucesso em todas as platéias. As mulheres começam se divertindo com as velhas que não deixam nossa Cora falar e terminam se emocionando com o próprio poema, esses que constróem coletivamente no início do espetáculo e é lido no final. Esses pequenos diamantes que Jhaíra posta nesse blog com o título “Elas de Cora”.
Por outro lado, temos uma análise maravilhosa da nossa colaboradora Iná Camargo sobre essa cena das velhas: ela diz que o fato das amigas não deixarem Cora falar, reflete a manutenção de valores que não devem ser mudados… ou que as velhas, nesse caso, não querem que mudem, não desejam ouvir o final da história e estão ali para atrapalhar.
Não são poucas as vezes que valores moralistas, religiosos se apresentam como barreira ao nosso diálogo com nossas platéias. A cena do aborto é nosso exemplo mais forte nesse sentido.
Para mim, a dificuldade está em propor a reflexão, pois nesses casos, nunca há dúvida. E nossa maior conquista acontece quando as mulheres começam a se ver como iguais, cada uma do seu jeito, mas mulheres que desejam transformar suas duras realidades por direito.
Maysa Lepique
