Do que se trata?
Cada uma tem sua própria resposta para a pergunta. Hoje posso afirmar que para mim se trata de LIBERDADE e consequentemente tudo que se relaciona com ela.
Pra mim é disso que fala a experiência (nem cabe chamar de peça) “Mulher a vida inteira”. Liberdade de escolher, liberdade de ir, vir, de ficar, de sumir e de se responsabilizar pelas escolhas feitas.
Há escolhas, sempre há, talvez as oportunidades oferecidas não sejam as melhores, e se há essa consciência, tanto melhor, que haja liberdade para criar outras.
Hoje na apresentação que fizemos na “Casa de Reabilitação” (como reabilitar alguém com o ócio improdutivo carcerário?) entendi o que me toca no projeto. Ele não fala do universo feminino, apenas, ele revela um desejo de liberdade. As cenas não apontam o que poderia ser, o que inicialmente me causou certo desconforto (sou poeta e contadora de histórias, logo, gosto de falar de um mundo que ainda está por…), mas como tornar verossímil uma realidade possível sem encarar a realidade que há de fato?
Sim. Ela é violenta.
Não. Nem sempre tem poesia.
Talvez. Livres para algumas escolhas.
A minha intuição já havia indicado que usávamos o universo feminino apenas como pretexto para falar de algo maior – felizmente ela estava certa!!!!!!! Hoje a intuição deu lugar à experiência.
Seja qual for o recorte que se faça – de gênero, raça, credo… – se a questão é humanitária, é legitima.
E termino com a frase que iniciou o poema de hoje, é disso que se trata:
LIBERDADE JÁ!
p.s:
ELA ME FEZ REFLETIR
Uma das encarceradas: Vocês tiveram medo de apresentar aqui?
Uma jovem que desenvolve um projeto com elas: Essa pergunta sempre aparece quando vem alguém de fora.
Eu comigo mesma: Por que, em alguns casos, é sempre mais fácil olharmos a partir das diferenças e não das semelhanças? Talvez para nos distanciarmos daquilo que “não nos pensamos ser”. Ela quando se olha no espelho vê uma mulher, e nós, quando olhamos para ela, o que vemos?
São Paulo, 28 de maio de 2008.
JHAÍRA