No dia 23 de fevereiro rolou mais um “mixtoquente”, mostra coletiva de trabalhos na casadalapa. Mas dessa vez, o evento foi dedicado à produção feminina, assim várias artistas, além das que trabalham na casa, foram convidadas a expôr seus trabalhos.
As ATUADORAS estavam lá, mais uma vez, incomodando a festa, cochichando nos ouvidos dados a respeito da violência contra a mulher. Nossa sensação foi de que as pessoas não sabem muito o que fazer com a informação. Fico pensando na possibilidade que ainda temos de nos indignar…
Foram poucas as pessoas que quiseram continuar conversando a respeito conosco e muitas as que sorriram e voltaram a curtir a festa.
Outra experiência foi no sábado anterior, no sarau que a Cia. Estável de Teatro realiza periodicamente no Arsenal da Esperança (abrigo para homens sem residência, onde a Cia. montou sua lona de circo). O tema do sarau era “o feminino”. Novamente, a única participação mais ácida ou incômoda da festa foi das ATUADORAS. Isso porque todas as outras apresentações eram bem humoradas ou doces (como se espera de uma mulher bem feminina) ou simplesmente não tinham relação com o tema.
O fato é que a discussão sobre violência contra mulher parece irrelevante, ultrapassada ou descontextualizada, mesmo quando o assunto é o mote do evento. E na verdade, essa hipótese só nos estimula mais a continuar falando, provocando, refletindo.
Além disso, esse é um assunto que não aparece. A discriminação por gênero é tão profunda que nem nos damos conta de que ela existe. Ultrapassa limites de classe social, ideologia política, etnia, idade e até gênero!
Estaremos nas ruas de São Paulo no dia 8 de março também, afinal, que comemoração é essa?