Como padrão de desigualdade, a dominação sexual é muito mais antiga historicamente, e muito mais profundamente arraigada na cultura, do que a exploração capitalista. Detonar suas estruturas requer uma carga igualitária muitíssimo maior de esperança e energias psíquicas, do que a necessária para eliminar a diferença entre classes. Mas, se essa carga explodisse no capitalismo, é inconcebível que ela deixasse inalteradas as estruturas de desigualdade de classes – mais recentes e relativamente mais expostas. A explosão de uma inevitavelmente arrastaria consigo a outra. Qualquer movimento que encarne valores capazes de realizar uma sociedade sem hierarquia de gênero seria constitutivamente incapaz aceitar uma sociedade fundada na divisão em classes.
Neste sentido, o governo do capital e a emancipação das mulheres são – histórica e praticamente – irreconciliáveis.
A CRISE DO MARXISMO
Perry Anderson