O projeto, contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2007, reune mulheres atuantes no teatro de grupo de São Paulo e profissionais colaboradoras como advogada, jornalista, musicista e escritora.
O projeto tem como ponto de partida a pergunta “O que é ser mulher?” . Através de depoimentos, matérias de jornais e dados estatísticos, abordamos temas como violência, aborto, mitologia, relacionamentos, trabalho, auto-estima, compondo uma dramaturgia ampla sobre a realidade da mulher hoje.
A peça tem estréia prevista para final de março e será apresentada apenas para mulheres, em grupos fechados, em locais de interesse como comunidades da periferia de São Paulo, universidades públicas, penitenciárias, assentamentos, grupo de mulheres vítimas de violência e em situação de tráfico.
Assisti o espetaculo no Teatro Fabrica (dois meses?), devo confessar que apesar de ter gostado de alguns momentos, fiquei decepcionada pela fragilidade dramaturgica, cenas pretenciosas com a profundidade de um pires. O pior foi o pretenso bate-papo onde as mentoras do grupo ditao as regras de como elas acham que devem ser as relacoes entre os sexos, o movimento feminista nos ensinou viva a diferença, acho que elas nao acreditam que discussoes equilibradas com publico ajudem ao desenvolmento do espetaculo e do psido-grupo.
Pois é Jacira, a obra de arte é assim… Quando lançamos ela ao público ou, nesse caso, às interlocutoras, passa a ser de todas nós. E, nós criadoras, já não temos mais total domínio sobre ela, como ela chega ou o que traz e dialoga com cada uma das mulheres que assistem ao espetáculo.
Pra você a peça é superficial, para nós, fruto de muito estudo e muito trabalho. E se lhe parece pretenciosa nosso debate ao final, para nós é extremamente necessário e prazeroso, pois abre espaço para muitos esclarecimentos e reflexões (além de novos depoimentos). E isso não é das atrizes para o público, é uma via de mão dupla onde todas saímos alimentadas – em geral, claro que você não é a única a não gostar…
Por último, não somos um “pseido-grupo”, somos relamente um coletivo de mulheres que escoheu o teatro, nesse primeiro projeto, como meio de discutirmos as questões de gênero pertinentes ao nosso tempo.
Obrigada por seu comentário e espero que possamos manter esse diálogo público por muito tempo!
Maysa Lepique